s degraus até o Trono de Ferro, enquanto a mãe se
sentava com o conselho. Joffrey vestia pelúcia de veludo
negro rasgado de carmim, uma capa de colarinho alto, de
tecido cintilante de ouro, e na cabeça tinha uma coroa
dourada incrustada de rubis e diamantes negros.
Quando Joffrey se virou para olhar para a sala, os olhos
encontraram-se com os de Sansa. Sorriu, sentou-se, e falou.
- É dever de um rei punir os desleais e recompensar os fiéis.
Grande Meistre Pycelle, ordeno que leia meus decretos.
Pycelle pôs-se em pé. Vestia uma magnífica toga de grosso
veludo vermelho, com um colarinho de arminho e brilhantes
presilhas douradas. Retirou um pergaminho da manga
pendente, pesada com arabescos dourados, e começou a ler
uma longa lista de nomes, ordenando a todos, em nome do rei
e do conselho, que se apresentassem e jurassem lealdade a
Joffrey. Caso não o fizessem, seriam declarados traidores e
teriam suas terras e títulos confiscados pela coroa.
Os nomes que leu fizeram Sansa prender a respiração. Lorde
Stannis Baratheon, a senhora sua esposa e sua filha. Lorde
Renly Baratheon. Ambos os lordes Royce e seus filhos. Sor
Loras Tyrell. Lorde Mace Tyrell, seus irmãos, tios e filhos. O
sacerdote vermelho, Thoros de Myr. Lorde Beric Dondarrion.
Senhora Lysa Arryn e o filho, o pequeno Lorde Robert. Lorde
Hoster Tully, o irmão, Sor Brynden, e o filho, Sor Edmure.
Lorde Jason Mallister. Lorde Bryce Caron, da Marca. Lorde
Tytos Blackwood. Lorde Walder Frey e o herdeiro, Sor
Stevron. Lorde Karyl Vance. Lorde Jonos Bracken, A
Senhora Sheila Whent. Doran Martell, Príncipe de Dorne, e
todos os seus filhos. Tantos, pensou, enquanto Pycelle
continuava a ler, que será preciso um bando inteiro de corvos
para enviar estas ordens.
E por fim, quase em último, chegaram os nomes que Sansa
temia. A Senhora Catelyn Stark. Robb Stark. Brandon Stark,
Rickon Stark, Arya Stark. Sansa abafou um arquejo. Arya.
Queriam que Arya se apresentasse e fizesse um juramento...
isto significava que a irmã tinha fugido na galé, já devia estar
a salvo em Winterfell...
O Grande Meistre Pycelle enrolou a lista, enfiou-a na manga
esquerda e retirou outro pergaminho da direita. Limpou a
garganta e prosseguiu.
- No lugar do traidor Eddard Stark, é desejo de Sua Graça que
Tywin Lannister, Senhor de Rochedo Casterly e Protetor do
Oeste, ocupe o posto de Mão do Rei, para falar com a sua voz,
liderar os seus exércitos contra os seus inimigos e pôr em
prática a sua real vontade. Assim decretou o rei. O pequeno
conselho consente. No lugar do traidor Stannis Baratheon, é
desejo de Sua Graça que a senhora sua mãe, a Rainha
Regente Cersei Lannister, que sempre foi a sua mais dedicada
apoiadora, se sente no seu pequeno conselho, para que possa
ajudá-lo a governar sabiamente e com justiça. Assim decretou
o rei. E o pequeno conselho consente.
Sansa ouviu murmúrios dos senhores que a rodeavam, mas
foram rapidamente abafados. Pycelle prosseguiu.
- E também desejo de Sua Graça que o seu leal servidor,
Janos Slynt, Comandante da Patrulha da Cidade de Porto
Real, seja de imediato promovido à categoria de lorde e que
lhe seja atribuído o antigo domínio de Harrenhal com todas
as suas terras e rendimentos, e que seus filhos e netos
mantenham essas honrarias após a sua morte e até o fim dos
tempos. Ordena ainda que Lorde Slynt se sente
imediatamente no seu pequeno conselho, para ajudar no
governo do reino. Assim decretou o rei. E o pequeno conselho
consente.
Sansa detectou movimento pelo canto do olho quando Janos
Slynt fez sua entrada. E então os murmúrios foram mais
sonoros e mais zangados. Senhores orgulhosos, cujas casas
remontavam há milhares de anos, abriram relutantemente
caminho ao plebeu meio careca com cara de sapo que passava
por eles. Escamas douradas tinham sido cosidas ao veludo
negro de seu gibão e ressoavam suavemente a cada passo. O
manto era de cetim xadrez, negro e ouro. Dois rapazes feios,
que deviam ser seus filhos, caminhavam à sua frente, lutando
com o peso de um sólido escudo de metal tão alto como eles.
Como símbolo tinha escolhido uma lança ensanguentada, de
ouro em campo negro como a noite. Ao vê-la, Sansa sentiu
arrepios.
Enquanto Lorde Slynt tomava seu lugar, o Grande Meistre
Pycelle prosseguiu:
- Por fim, nestes tempos de traição e perturbação, com o
nosso querido Robert tão recentemente morto, é opinião do
conselho que a vida e a segurança do Rei Joffrey é de
suprema importância... - olhou para a rainha.
Cersei pôs-se em pé.
- Sor Barristan Selmy, apresente-se.
Sor Barristan tinha estado na base do Trono de Ferro, tão
imóvel como uma estátua, mas agora caía sobre o joelho e
inclinava a cabeça.
- Vossa Graça, estou às suas ordens.
- Erga-se, Sor Barristan - disse Cersei Lannister. - Pode tirar o
elmo.
- Senhora? - erguendo-se, o velho cavaleiro tirou o grande
elmo branco, embora não parecesse compreender por quê.
- Tem servido o reino longa e fielmente, meu bom sor, e todos
os homens e mulheres nos Sete Reinos lhe devem
agradecimentos. Mas, agora, tem